Minha alma canta, vivo o Rio de Janeiro!
CARTAS AO RIO
Amanda Faraco
6/19/20221 min read


Durante muito tempo, eu vivi correndo.
Correndo entre um trabalho e outro.
Entre uma cidade e outra.
Correndo atrás de reconhecimento profissional.
Correndo para sobreviver emocionalmente aos dias que me engoliam sem pedir licença.
Eu me acostumei ao barulho.
Ao caos.
À sensação constante de estar atrasada para uma vida que eu nem sabia mais qual era.
E talvez por isso o Rio tenha me atravessado de um jeito tão profundo.
Ele me devolveu pausas que eu nem sabia que precisava.
No caminho para o trabalho, em algum ponto entre o Catete e o Jardim Botânico, comecei a perceber pequenas coisas que a exaustão tinha roubado de mim:
a vista da janela do 409,
o café raiz servido no copo americano naquela padaria perto da Globo,
o cheiro de mato da Pacheco Leão,
a vista do Cristo surgindo na curva da Jardim Botânico,
como se a cidade sussurrasse:
“calma… você sobreviveu.”
O Rio tem defeitos que ninguém pode esconder.
Mas também tem uma beleza que acolhe quem chega cansado da vida e transforma esse cansaço em vontade de viver.
E talvez tenha sido exatamente isso que eu vim buscar aqui:
não uma cidade perfeita,
mas uma vida que faça sentido.
Uma vida onde ainda existam pequenos respiros num mundo que exige demais da gente o tempo inteiro.
Talvez morar no Rio nunca tenha sido apenas sobre morar.
Talvez seja sobre descobrir que a vida ainda pode ser incrivelmente bonita no simples.
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