Catete no radar: novos projetos revelam o potencial imobiliário do bairro

Dois antigos hotéis dão lugar a novos projetos, incorporadoras voltam os olhos para a região e o Catete começa a revelar um potencial imobiliário que, durante muito tempo, ficou à sombra de outros bairros da Zona Sul.

CATETEMERCADO IMOBILIÁRIO

Amanda Faraco

9/1/20265 min read

Quem acompanha o mercado imobiliário do Rio sabe que algumas transformações começam muito antes de aparecerem nos grandes lançamentos.

Elas surgem na compra de um terreno, na mudança de mãos de um imóvel antigo, na chegada de uma incorporadora ou na escolha de uma rua que, até pouco tempo atrás, parecia passar despercebida pelo mercado.

E é exatamente isso que começa a acontecer no Catete.

Duas movimentações recentes chamam atenção: o antigo Hotel Leão, na Rua Corrêa Dutra, foi adquirido pela WPX Empreendimentos e dará lugar a um residencial com 66 unidades. Poucos metros dali, o prédio do antigo Hotel Ferreira Viana também foi vendido e poderá ser demolido para a construção de um novo edifício de 13 andares destinado à hotelaria.

Na própria Rua Ferreira Viana, um terceiro imóvel tradicional, o Hotel Beija-Flor, também mudou de mãos e ainda não teve seu futuro divulgado.

Isoladamente, seriam apenas negócios imobiliários.

Juntos, ajudam a revelar algo maior: o potencial de transformação de uma região extremamente bem localizada da Zona Sul e que começa a despertar um novo interesse do mercado.

Na Rua Corrêa Dutra, um novo residencial com 66 unidades

A WPX Empreendimentos adquiriu o Hotel Leão, aberto na década de 1960 e com 33 apartamentos.

O prédio será demolido para receber um empreendimento residencial com 66 unidades, entre estúdios e apartamentos de um e dois quartos, além de rooftop com vista panorâmica.

A proposta é atender tanto quem deseja morar no bairro quanto compradores interessados em imóveis para investimento.

A escolha do endereço não parece casual.

Em declaração ao Diário do Rio, Wagner Paz, CEO da WPX Empreendimentos, destacou justamente a localização, a infraestrutura, a mobilidade e a diversidade da demanda residencial do Catete como fatores considerados pela incorporadora.

São características que ajudam a explicar por que o bairro pode se tornar cada vez mais interessante para novos projetos.

Na Ferreira Viana, outro terreno entra no radar

A poucos metros dali, outra transformação está em andamento.

Segundo reportagem do Diário do Rio, a Prefeitura analisa um pedido para demolir o antigo Hotel Ferreira Viana, construído no início do século XX, para dar lugar a um edifício de 13 andares destinado à hotelaria.

O imóvel possui três pavimentos e não é tombado. Apesar da frente relativamente estreita para a Rua Ferreira Viana, o terreno apresenta grande profundidade, característica que amplia suas possibilidades de ocupação.

Se aprovado, o novo empreendimento será desenvolvido pelo mesmo grupo responsável pelo Art Lapa Hotel, na Rua do Lavradio.

É interessante perceber que os dois projetos apostam em públicos diferentes.

Enquanto a Rua Corrêa Dutra deverá receber novas unidades residenciais, a Ferreira Viana poderá ganhar um empreendimento hoteleiro.

Em comum, os dois investimentos enxergam valor praticamente na mesma região.

Afinal, por que o Catete?

Talvez essa seja a pergunta mais interessante.

O Catete reúne características difíceis de reproduzir em um bairro novo.

É uma região consolidada, com comércio de rua, supermercados, escolas, restaurantes, serviços, hospitais e uma vida urbana que funciona independentemente dos novos empreendimentos.

Tem metrô.

Está próximo ao Centro.

Está a poucos minutos do Aterro do Flamengo e da Baía de Guanabara.

Faz divisa e se conecta diretamente com Flamengo, Glória, Laranjeiras e Santa Teresa.

E ainda conserva uma escala de bairro, com ruas arborizadas, edifícios de diferentes épocas, pequenos comércios e uma relação com a rua que desapareceu de muitas regiões da cidade.

Para quem compra para morar, isso significa conveniência.

Para quem investe, significa demanda potencial de diferentes perfis.

E, para as incorporadoras, existe outro elemento importante: possibilidade de transformação.

Em bairros mais adensados e valorizados da Zona Sul, encontrar terrenos capazes de receber novos projetos é uma tarefa cada vez mais difícil. No Catete, ainda existem imóveis antigos, hotéis, casas e edificações de menor porte ocupando terrenos que podem despertar interesse imobiliário.

Os antigos hotéis são um exemplo disso.

Um bairro entre o Centro e a Zona Sul

Durante muito tempo, o Catete pareceu ocupar uma posição curiosa no imaginário carioca.

Zona Sul para alguns. Quase Centro para outros.

Mas aquilo que já foi visto como uma indefinição pode ser justamente uma de suas maiores vantagens.

O bairro combina a proximidade do Centro com a infraestrutura e o estilo de vida da Zona Sul.

É possível sair do metrô e resolver boa parte da vida a pé. Em poucos minutos, chegar ao Aterro.

Seguir para o Flamengo, Largo do Machado ou Glória sem necessariamente depender do carro.

Essa combinação ganha ainda mais importância em um mercado no qual localização, mobilidade e praticidade voltaram a pesar bastante na decisão de compra.

Existe também um potencial para imóveis compactos

O projeto previsto para o Hotel Leão traz outro sinal interessante: a presença de estúdios e apartamentos de um e dois quartos.

É uma tipologia que conversa com diferentes públicos pessoas que moram sozinhas, casais, investidores e compradores que procuram uma porta de entrada para a Zona Sul.

O Catete possui uma vantagem competitiva nesse segmento.

Oferece a experiência de morar na Zona Sul, com metrô e infraestrutura consolidada, sem necessariamente partir dos patamares encontrados em bairros como Ipanema e Leblon.

Isso não significa que todo imóvel do bairro irá se valorizar da mesma maneira ou que qualquer lançamento será automaticamente um bom investimento.

Mercado imobiliário é sempre endereço, prédio, planta, preço e contexto.

Mas significa que há fundamentos urbanos que ajudam a explicar o interesse crescente pela região.

O desafio será crescer sem perder o Catete

Existe, porém, uma discussão que não pode ficar de fora.

Parte do valor do Catete está justamente naquilo que ainda não foi substituído.

Nos casarões.

Nos prédios antigos.

Nos pequenos hotéis.

Nas fachadas que contam diferentes momentos da história do Rio.

Na mistura entre arquitetura, comércio popular, edifícios residenciais e ruas que ainda guardam identidade própria.

O Hotel Ferreira Viana, embora construído no início do século XX, não possui tombamento.

O mesmo ocorre com outros imóveis que entraram recentemente no radar do mercado. Como do Hotel Inglês, que escrevemos recentemente, leia aqui.

Por isso, a chegada de novos investimentos traz também uma questão importante para os próximos anos:

como permitir que o Catete aproveite seu potencial imobiliário sem se transformar em um bairro igual a tantos outros?

Desenvolvimento e preservação não precisam necessariamente ocupar lados opostos dessa conversa.

Mas é uma conversa que precisa existir.

O Catete merece ser observado

Dois antigos hotéis com novos projetos.

Um terceiro imóvel que acaba de mudar de mãos.

Incorporadoras identificando oportunidades e novas unidades residenciais chegando a uma região onde terrenos para lançamentos não aparecem todos os dias.

Ainda é cedo para falar em uma transformação completa do bairro.

Mas já existem sinais suficientes para prestar atenção.

O Catete reúne localização, mobilidade, infraestrutura, história e uma oferta imobiliária extremamente diversa: de apartamentos compactos a grandes unidades em edifícios antigos.

Talvez o mercado esteja começando a enxergar com mais clareza algo que quem vive o bairro já conhece há muito tempo:

o Catete ocupa uma das localizações mais estratégicas da Zona Sul do Rio e ainda tem muito potencial para ser redescoberto.

E nós, do Morar na Zona Sul, estaremos acompanhando de perto cada capítulo dessa transformação.

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Amanda Faraco

Fundadora da Morar na Zona Sul

Escritora, Professora e Futura Corretora.

Especialista em Marketing Digital Imobiliário.

Mineira de nascimento, carioca de coração😍