Catete, Flamengo e Laranjeiras: conheça os bairros da Zona Sul/Lado B

A expressão usada em uma reportagem da Veja Rio, incomodou muita gente tocando num ponto sensível mas também revelador.

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5/20/20262 min read

Pequena Victoria correndo pelo Largo do Machado.
Pequena Victoria correndo pelo Largo do Machado.

Existe um certo desconforto coletivo quando algo é colocado no lado B.

A expressão usada em uma reportagem da Veja Rio, incomodou muita gente.

Ao chamar bairros como Catete, Flamengo e Laranjeiras de “Zona Sul B” tocou num ponto sensível mas também revelou uma mudança importante de percepção.

A expressão usada pela Veja Rio para definir Catete, Flamengo e Laranjeiras, gerou desconforto.

Historicamente, fomos ensinados a associar o "lado A" ao sucesso comercial, ao hit chiclete que toca nas rádios e é validado por todos.

O lado B seria o desconhecido. Mas quem tem relação com a música sabe: é no lado B que costumam morar as faixas mais autênticas, viscerais e menos previsíveis. É onde a arte foge do comercial para criar conexões mais profundas.

Essa lógica musical explica perfeitamente o que está acontecendo no mercado imobiliário carioca.

Bairros historicamente ofuscados pelo "lado A" (Leblon, Ipanema e Copacabana) agora protagonizam alta valorização no mercado.

Por que o mercado mudou de faixa?

O modelo do "lado A" saturou. A falta de terrenos e os preços astronômicos no Leblon e em Ipanema geraram um deslocamento inevitável do investimento. Três forças estruturais explicam essa mudança de rota:

  • Escassez de espaço nas áreas tradicionais;

  • Mudanças na legislação urbana;

  • Busca por custo-benefício e infraestrutura real.

Os números confirmam a tendência:

o que antes era visto como "intermediário" hoje registra forte valorização no metro quadrado, aumento expressivo na procura e expansão de lançamentos.

O mercado entendeu que o público cansou do óbvio.

Cada um desses bairros traz uma identidade única, como um álbum cheio de nuances:

Catete: A faixa dinâmica. Une a força histórica do Palácio do Catete a uma infraestrutura prática, comércio pulsante e mobilidade rápida com o metrô.

Flamengo:

O clássico atemporal. Oferece o luxo urbano de ter o Parque do Flamengo como quintal, sem cobrar o preço inflacionado dos vizinhos midiáticos.

Laranjeiras:

A balada acústica. Preserva uma atmosfera de refúgio residencial, arborizado e silencioso em meio ao caos urbano.

Cosme Velho (O lado B do lado B):

A faixa bônus escondida. Quase um segredo bem guardado, cercado de áreas verdes e pouquíssimos lançamentos. Se o lado B já está em evidência, o Cosme Velho representa o próximo movimento de quem busca o verdadeiro luxo do espaço e do silêncio.

A saturação de bairros como o Leblon mostra que a exclusividade previsível perdeu o encanto. O comprador de hoje mudou o foco: trocou o status puro por mobilidade, vida de bairro, metragem real e identidade.

Esses lugares sempre estiveram ali, repletos de história e qualidade de vida; o que mudou foi o olhar de quem compra.

Chamá-los de "lado B" não é uma crítica.

Afinal, leva tempo para a gente perceber que as composições mais ricas da cidade não foram feitas para agradar a todo mundo.

Pequena Victoria correndo pelo Largo do Machado.

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Amanda Faraco, mineira apaixonada pelo Rio.

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